Ínicio » Em Movimento » Quanto tempo gasta nas suas deslocações diárias?

Os transportes dos nossos dias

O setor dos transportes e a indústria automóvel têm uma influência importante na forma como as sociedades de hoje se desenvolvem, tendo o automóvel, no contexto atual da mobilidade, um papel determinante. Inicialmente, o automóvel era visto como um bem de luxo, hoje está banalizado e acessível às várias classes sociais, sendo aliás, um dos principais motores da economia.
Por outro lado, a centralização das atividades económicas e sociais nos centros urbanos tem uma consequência direta no desenvolvimento das cidades. Atualmente, tem levado ao crescimento das zonas habitacionais nas suas periferias e, consequentemente, ao aumento do fluxo das deslocações das pessoas entre casa e o trabalho, quer em transportes públicos, quer em transportes particulares.
Com a evolução da sociedade, as pessoas têm vindo a adotar comportamentos que não dispensam o uso do automóvel no dia-a-dia, por conferir um grau de autonomia e liberdade como não acontecia no passado, conquistando novos padrões de comodidade, e, até mesmo, de estatuto. Padrões que se enraizaram de tal forma, que a posse de um automóvel representa não só uma forma de mobilidade, mas também a projeção de uma imagem.
Todos estes fatores favorecem o congestionamento das cidades, o que para além do aumento da poluição, origina um aumento do tempo gasto nas deslocações, principalmente nas deslocações diárias entre casa e trabalho. Esta é uma realidade que se verifica um pouco por todo o mundo, mais ou menos evidente, consoante a qualidade da rede de transportes existentes.
Uma rede de transportes com pouca oferta, ou desarticulada, dificulta a combinação de diferentes modos de transporte de uma maneira razoável e eficiente. Por isso, muitas pessoas recorrem à viatura própria para deslocações diárias, para o trabalho, porque não têm uma alternativa aceitável, devido à escassa oferta de transporte público entre algumas localidades. Outras preferem deslocar-se no seu automóvel porque não querem, ou não podem estar sujeitos a horários dos transportes, ou por questões de conforto.
O tempo de deslocação que as pessoas gastam varia, principalmente, em função da distância, do local, do modo de transporte utilizado e da hora do dia. Com isto podemos passar muito tempo das nossas vidas dentro de um transporte durantes as nossas deslocações.

Por exemplo – uma pessoa que demore uma hora a deslocar-se de casa para o trabalho e uma hora no regresso, no final de cada mês terá gasto cerca de 20 horas (220 horas/ano), apenas para se deslocar para ir trabalhar. E aquelas que passam a horas no trânsito, de manhã e ao final do dia?

De facto, a evolução da sociedade exige uma constante adaptação das redes de transporte, para satisfazer as mais diversas necessidades de mobilidade. Desde há muito tempo que se ouve falar das redes de transporte multimodal (redes de transporte que permitem a articulação entre vários modos de transporte, de forma a tornar mais rápidas e eficazes as deslocações de pessoas e mercadorias), mas globalmente, a realidade evidencia que estamos longe de ter uma rede de transportes eficiente, cujo desenvolvimento é tecnicamente complexo e acarreta custos muito elevados.
Uma coisa parece ser certa, este é um dos desafios da sociedade atual e futura. Cada um pode contribuir, adotando soluções de mobilidade mais sustentáveis.
Já que estão na moda algumas atividades físicas saudáveis, como caminhar e andar de bicicleta, porque não, sempre que possível, adotar mais vezes estes modos ativos, para algumas deslocações diárias? Além de permitirem notáveis poupanças de tempo e dinheiro, contribuem para a sustentabilidade. Estas opções permitem desenvolver hábitos físicos e sociais mais saudáveis e diminuir a dependência dos automóveis.

Por: Luís Miranda Torres

 

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