Ínicio » Passear » O Tejo dos cavalos e da lezíria

O Tejo não é só Lisboa. Seguindo o seu percurso pela margem direita desde Santarém até Constância, descobrimos paisagens de pedra e de água. Estamos no Ribatejo, terra de campinos, cavalos, gado bravo e, claro, do rio transbordante que aqui nada separou, mas antes uniu.

As férteis paisagens da lezíria convidam a um passeio de carro em linha de cerca de 60 quilómetros mas com inúmeros motivos de paragem. À beira-Tejo um rosário de povoações foi-se fixando desde longa data.
É o caso de Santarém. O seu centro histórico conta com monumentos de peso como a Igreja do Milagre, das mais visitadas. Mas há muito mais para ver – consultar plano de viagem – sendo que a passagem por esta cidade não fica completa sem a despedida nas Portas do Sol, um bem cuidado jardim com vista para o Tejo.
O passeio continua depois pelo campo. Na estação de comboios da cidade (Ribeira de Santarém) aproveite para apreciar os bonitos painéis de azulejos. Daqui partimos até Constância viajando, sempre que possível, a par com o Tejo.
Estamos em terras de aluvião de grande vocação agrícola. Quando o Tejo enche e transborda, tudo engole. É o preço a pagar por tamanha fertilidade dos solos que em troca devolvem verdejantes pastagens, arroz, tomate e melão.
Mas nem só de cultura – da gastronómica – vive este passeio. Os amantes da literatura encontram na Azinhaga, terra natal de Saramago, um ponto de romagem. E se forem fãs de aves, logo a seguir, há novo motivo de paragem.
Em terra de campinos, não podem faltar os cavalos. Na Golegã, pelo São Martinho, a festa é rija. Há concursos, exposições e outros eventos relacionados com estes animais. Perdeu esta oportunidade? Felizmente em Maio é a vez da Expoégua.
De volta à estrada e a apenas 15 quilómetros, um forte irrompe no meio do rio. É o castelo de Almourol que se alcança numa barca em troca de poucas moedas. Tire fotografias, caso contrário ninguém vai acreditar que esteve aqui.
Não há melhor forma de nos despedirmos do Tejo do que na bela Constância, vila-poema abraçada pelos rios Tejo e Zêzere. No adro da igreja, o ponto mais alto, ou com os pés no fresco do rio, a escolha é sua.

 

Por Paula Oliveira Silva